[Resenha]: 1+1: A matemática do Amor - Vinícius Grossos e Augusto Alvarenga



Você vai rir, você vai chorar.

E quando terminar, seu coração estará super quentinho.

E talvez vá pensar em fazer algumas ligações para algumas pessoas, ou abrir seus diários de adolescência. Acredite, você não consegue terminar esse livro de uma forma "passiva", ele te leva a agir, mesmo que seja mergulhar no passado. 

Dedicatória super linda do Vinícius!


A sinopse você pode encontrar aqui, então não vou focar na história, mas sim sobre a minha percepção sobre ela após a leitura, ok?

Quando comecei a ler o livro, fiquei me perguntando "ah, mas será que realmente com 16/17 anos as coisas eram assim, ou já eram mais diretas, não tão inocentes assim?". E eu fui ver meus textos, diários e anotações da época (sim, eu fui atrás dessas lembranças quando terminei a leitura). E sim, era exatamente assim. Então se você pegar para lê-lo, eu quero que esteja focado nas suas vivências aos 16/17 anos. 

Teve muito choro ao ler essa parte? Ah, teve sim!

Muitas coisas que estavam ali me trouxeram lembranças deliciosas. Coisas idênticas, coisas semelhantes, algumas bem diferentes, que eu não vivenciei, mas vi em amigos. Há um toque de proximidade com a nossa vida (independente de ser na cidade pequena, como era o caso de Bernardo e Lucas, seja em uma cidade maior, como Juiz de Fora), que nos conquista de primeira. Eu gosto de pensar que um livro para conquistar meu coração precisa ter algum elemento de projeção - alguma coisa ali precisa ter algum tipo de assimilação direta ou indireta com a minha vida. E quanto mais isso acontecer, melhor. E 1+1 foi muito assim.

Bê e Lucas trouxeram de volta uma certa ingenuidade que a gente não enxerga quando tem essa idade. Com 16 anos muitos até já tiveram suas primeiras experiências sexuais. Mas ainda continuam ingênuos. E o livro aborda um pouco disso com uma maestria sem igual. Porque não é uma inocência "tola", ou fora da realidade. Não é infantil. É extremamente adequado a faixa etária dos personagens.

O livro também aborda uma coisa essencial: a fidelidade e a lealdade de uma amizade. A amizade entre Bê e Lucas, acima de tudo e, principalmente com tudo que acontece no livro é encantador demais. O relógio aponta os últimos 30 dias em que Bernardo estará no Brasil e Lucas tenta fazer de tudo para que Bê tenha as férias mais memoráveis da vida. Independente de qualquer coisa, esta foi uma prova de amizade belíssima e que pouco se vê na vida adulta. E dá saudade desse tipo de gesto, dá sim.

Um ponto mais "estrutural" que eu gostaria de falar é sobre o fato do livro ser dividido nos PoV dos protagonistas. Isso me chamou muito a atenção porque um dos meus projetos antigos de publicação abordava justamente este tipo de coisa e eu tinha muito medo de deixar o leitor perdido. Vinícius Grossos e Augusto Alvarenga conseguiram conduzir uma narrativa linda, bem encadeada, bem coesa a quatro mãos. Neste quesito eu preciso dar os parabéns! (E perguntar a eles posteriormente como foi o processo criativo do livro, porque fiquei muito curiosa! haha). 



*ALERTA DE SPOILER*










Algo que preciso agradecer demais: o amor do casal Lunardo (sim, já tem nome e shippadores por aí!) é retratado de uma forma totalmente não estereotipada. Como falei, em muita coisa (e em muitos dilemas, inclusive) eu vi coisas que eu vivi. A autodescoberta também é feita de uma forma muito doce e isso é um ponto que eu achei fundamental. É lógico que diante da homofobia é preciso ter militância sim, mas também em outras esferas (e principalmente numa literatura mais focada para jovens) é preciso deixar claro que há o amor, e que ele não é diferente em um contexto heteroafetivo ou homoafetivo. Amor é amor. E isso foi muito bem trabalhado.

E logicamente que a homofobia foi tratada no livro. Neste ponto eu chorei. Chorei porque tive amigos que passaram por isso e chorei por empatia. É muito triste saber que pessoas são agredidas por amarem. Eu perdi umas boas horas pensando sobre isso quando terminei o livro e ainda fico meio embargada pensando nessas questões.

Bom, por mim eu falaria muito mais ainda. Mas também não posso entregar tudo de uma vez, porque está sendo muito difícil falar sobre o livro sem contar ele todinho. HAHA. Leiam. Se apaixonem de novo. Vale muuito a pena!

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