[Projeto um livro por semana]: Todas as mulheres - Fabrício Carpinejar


Fabrício Carpinejar está morto!

É a partir desta premisa que começa o livro "Todas as mulheres". O poeta gaúcho está morto e conta seu velório, tentando descobrir quem será a viúva que lamentará a sua perda.

Depois de anos, Carpi volta ao mundo das poesias. Eu, Lu, confesso que quando conheci a obra dele, sabia apenas das crônicas (lá pelo final do finado ano de 2009). E eu não tinha tido contato com livros mais antigos dele, ou seja, fui totalmente crua para conhecer a poesia do nosso amado Carpi.

E encontrei mais do que uma poesia sobre um velório.

Eu li o livro em 2 atos (um na quimioterapia da minha mãe e outro em uma noite fria em casa). E parece que a pausa foi no ponto preciso. Parece que em um determinado ponto o tom fica mais dramático, meio down (meio gente, não é um tom depressivo).

Eu não vou ficar delongando muito sobre o enredo (pode-se falar em enredo em poesia? Oo), pois acho que a essência do livro está em justamente descobrir como é esta visão do poeta sobre seu enterro e como poderia "adivinhar" quais das suas ex-mulheres seria a viúva a lamentar mais a sua morte.

Vamos logo a parte opinativa. Eu achei encantador. Sendo bem sincera, apesar de AMAR poesia, são poucos os livros que me prendem do início ao fim (com exceção para coletânias de sonetos). E este livro só foi interrompido devido a necessidade de levar a minha mãe para casa, ou teria devorado-o de uma vez só.

Em muitos pontos a discussão "passa" (na verdade ela é importante, se considerarmos se tratar de um morto refletindo sobre sua vida para encontrar quem foi de verdade a sua derradeira amada) para um pouco da visão "Carpinejar por Carpinejar". Uma visão um pouco crítica, e uma visão que parece (e aqui é pura especulação da escritora) de um homem cansado e um pouco desiludido sobre si, apesar de se colocar como um homem guerreiro.

Este ponto me chamou muita atenção porque - como sempre - rolou aquele ponto de identificação. Muitos dos pontos em que havia uma descrição dele sobre ele mesmo, eu me via ali. E eu tentei ir o máximo possível sem esse filtro de "me buscar dentro da poesia". Mas não adiantou. Principalmente nesta parte.



Outro ponto bem interessante é a forma "não-rancorosa" com a qual Carpinejar fala de suas ex-mulheres. Lógico que há pontos negativos, afinal, ele fala sobre os términos, mas nunca de forma a depreciá-las ou menosprezá-las. Pelo contrário, mesmo dentro dessa lembrança triste, há espaço para comentários delicados, um tanto quanto amorosos e apaixonados (se me permitir essa licença, pois é a lembrança de um amor que existiu, mesmo que tenha se findado). Algo que muitos de nós acabam se esquecendo que pode existir depois de um término - o ex nem sempre é só o malvad@ que você assume para si por tanto tempo.

No mais, um livro bastante interessante, adorável e com uma poesia única e incrível, fruto da criação entre dois poetas: Maria Carpi e Carlos Nejar. Indico imensamente a leitura não só para os amantes de poesia, mas para todos aqueles que desejam conhecer um pouco mais desse grande louco-poeta que nos encanta há tanto tempo.

E para a próxima semana:
Nùmero 25: O Futuro da Humanidade (Augusto Cury) ou o Limite Branco, se eu conseguir pegar ele com o Paulo. hehe.

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