Sobre quem vamos perdendo na vida

[Inspirado pelo texto do padrinho-guru publicado no dia 25 de novembro]

Quando li o texto do Carpinejar, me identifiquei em duas vias: a do eu-lírico furioso e a do amigo ao qual foi redirecionado o texto. De certa forma já estive (e estou) dos dois lados. E é aí que vemos o quão difíceis são as relações humanas.

Ao longo da vida, antes mesmo de namorar, eu sempre fazia listas de convidados para casamento. Afinal, a certeza de encontrar o amor da vida e ter um casamento lindo antecedia até mesmo as expectativas de que eu conseguiria achar um maluco que topasse beijar a minha boca. Acontece, né?

Com o tempo muita gente entrou. Muita gente saiu. E é nessas horas que vemos como as pessoas entram e "saem" de nossas vidas.

Um dos critérios para você "limpar" a sua lista é excluir as pessoas com quem você não encontrou/teve contato no último ano. Considerando este critério, muitas pessoas já estariam de fora. Pessoas que eu amei, que ainda amo muito, mas que por motivos diversos acabaram se afastando. É crueldade deixá-las de fora.

Ao mesmo tempo, penso em todas as pessoas que ajudaram no nosso relacionamento, mas por algum motivo, acabaram se perdendo por aí, de forma que sequer conseguimos ter 30 minutos de conversa normal, sem ter qualquer briga anterior. O que leva amigos de anos acabarem afastando desta forma? Acabou que o papo de lista rendeu uma reflexão muito maior do que uma simples lista de casamento.

Eu, Lu, sou muito apegada a amigos. Cada afastamento sem qualquer tipo de explicação é algo que não sei muito bem como lidar. Sem brigas. Sem desapontamentos (bom, não que eu saiba). E qual o critério usado para que determinado amigo você possa passar meses sem falar e encontrarem e nada mudar e com outros parecerem dois semi-conhecidos, os quais teria sido mais fácil ter atravessado a rua e ter fingido que não viu.

Para quem é bobo como nós, dói. Afinal, o que houve? Por que aquela pessoa se afastou? Do nada quando vemos não somos correspondidos no whats, não há mais ligações recebidas. As que fazemos são geralmente perdidas e "a correria do dia a dia não me deixou nem ver". Ao mesmo tempo, nossa correria, por diversas vezes nos impede de perceber na hora exata, acabamos demorando pra notar.

Sem citar casos, aprendemos que esse afastamento pode parecer inevitável, mas quando se trata de uma amizade sincera, verdadeira e que prezamos, é VITAL tentarmos nos conciliar. Sejamos justos: pelo menos com o casal marmota, sempre buscando estudar, dando cabeçada na vida, falta tempo. Mas PRECISAMOS tentar. Sem discursinhos... Tínhamos um amigo, por motivos FÚTEIS ficamos afastados... Conversamos e nos esclarecemos... Pouco tempo depois, literalmente da noite pro dia, ele se foi. Sim, amigos, acaba de repente e é cruel. Ficamos pensando no tempo que poderíamos ter juntos. E isso não precisa envolver morte. Basta pensar naqueles barzinhos que deixamos de frequentar, as lutas do UFC que podíamos ter comentado. As "noitadas" na casa de cada um... Os filmes em casa com pipoca. As confidências divididas quase que num sussurro, para que os pais dos amigos não ouvissem...

E muitas vezes nos tocamos disso em momentos como esse... Na hora de montar uma lista de casamento. Então, damos uma dica para vocês: não esperem isto acontecer. Avaliem e reflitam sempre sobre quem vocês têm na vida e quem acabou se perdendo no caminho. E recuperem estas pessoas. Não deixe que pessoas incríveis da vida de vocês se tornem um nome riscado em um rascunho de lista.


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