Blogmas #5: Reflexões sobre amizades em tempos de cólera

Final de ano é sempre aquele momento para reflexão sobre o que aconteceu no último ano. E eu andava com aquela inquietação estranha sobre alguns amigos e ficava me perguntando o que estava acontecendo. Até que o insight veio numa manhã preguiçosa de quinta-feira, ao abrir um outro grupo, com outros amigos. E hoje venho trazer um pouco sobre este problema e algumas reflexões sobre ele.

Não sei se acontece o mesmo com vocês, mas já repararam que a forma como os amigos tem se comunicado entre si tem modificado para uma forte rispidez? Sabe aquela forma quase animalesca que as pessoas usam para defender pontos de vista no Facebook (principalmente sobre política)? Pois é. Muitos dos meus amigos têm usado este mesmo tipo de linguagem nas conversas habituais. 

Imagem: mobilizadores.org

O sentimento de raiva e ódio coletivo para quem não concorda com você acabou se transpondo para as conversas banais. Tudo se tornou motivo para puxar um lado mais ríspido: uma patada, um ad hominem, um sarcasmo nada delicado, uma grosseria, parar de falar, fazer questão de visualizar e não responder, rebater até o outro desistir da conversa, converter a piada em discussão, etc. 

Você comentou um trailer, vem uma crítica. Você enviou um áudio, vem uma graça. Você pediu opinião sobre um tema corriqueiro, aquilo se transforma em um debate ferrenho. Você pede uma opinião sobre algum problema, é atacado diretamente.

Intolerância e rispidez se tornou normal. E fugir de ser uma pessoa mal educada se tornou exceção.

Este tipo de conduta com qualquer pessoa já é complicado. Quando você é assim com um amigo, é quase um sacrilégio.

Amigos deveriam ser aqueles que você zoa, se diverte, com quem você troca risos e confidências, e não farpas e cutucadas.

É com quem você pergunta se está tudo bem, e não já sair desferindo meia dúzia de patadas aleatórias.

É com quem a gentileza não pode faltar, e não ser a pessoa com quem você sente liberdade para faltar com este gesto.

Amigos são como aquela parte melhor de nós. E se estamos sendo cruéis com eles, estamos ferindo uma parte de nós mesmos.

Quando você pensar em responder um amigo de uma forma mais ríspida, pense: é assim que eu falava com ele há uns 5 anos? Este tipo de conduta irá torná-lo melhor ou mais feliz?

Se a resposta for "não", reconsidere. Abrace um amigo, não o ataque. Ele não é o seu inimigo político do Facebook. (na verdade, nem eles deveriam ser respondidos assim, mas isso é tema para um outro post).

Não deixe que os tempos de cólera destruam o real significado de uma amizade.



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