Posse x amor: sobre apoio profissional na vida a dois

Olá gente bonita!

Esta semana tive a infelicidade de ler um post em um grupo que participo que me indignou a ponto de eu perder o ponto de ônibus e ter que voltar quase 1km a pé pra minha casinha (thx girl). A situação foi esta:


Quando nós vivemos uma realidade totalmente diferente, nós nos distanciamos tanto de certas coisas que ficamos totalmente incrédulos quando nos deparamos com a situação oposta. E foi isto que aconteceu quando encarei este post.

Eu tive (e tenho) várias dúvidas sobre meus sonhos profissionais: se eu realmente seria uma boa professora ou não; se quero experimentar mais a área prática da comunicação antes de me voltar de vez para a área acadêmica; se eu realmente sou boa na área prática que mais me simpatiza (mídias digitais), etc. Mas uma coisa que eu nunca tive dúvida é que eu teria o apoio do Paulo.

Apoiar não significa aceitar sempre as decisões do outro, é claro. Se você vê que o parceiro está se metendo em ciladas, você logo grita: é cilada, Bino! Se você acha que tal decisão pode ser melhor aperfeiçoada, você dá toques, mostra novos caminhos e possibilidades. Isto é uma coisa.

Censurar e castrar o outro pelos seus receios é outra coisa bem diferente.

Essa talvez tenha sido uma lição que aprendemos com a distância e que é extremamente importante para nós. Se com tantos empecilhos estamos juntos, é porque nos gostamos muito. E amar é querer engrandecer o outro.

Um relacionamento em que se menospreza o outro pelos seus receios e angústias já começa errado. Se você cogita hipóteses de traição, deveria já parar por aí e rever seus conceitos. Uma coisa é você acreditar que há essa possibilidade (tal como hoje pode chover ou não, mas isso não quer dizer que vai chover), outra é dar isso como certo dentro de determinada possibilidade. Em primeiro lugar meus amigos, quem quer trair de verdade não precisa de justificativa, distância ou qualquer coisa do tipo. Precisa apenas de oportunidade e vontade. Então não é ir para fora do país ou para 300Km de distância que vai facilitar isso.  

Outra justificativa tola para a castração do engrandecimento profissional do parceiro é que "eu não suportaria a distância". Cada um sabe o que aguenta e onde dói, mas se você realmente não suportaria, há algumas opções: 1. você se mudar com a pessoa para este outro lugar em um momento oportuno ou 2. deixar a pessoa livre e buscar outros caminhos para você porque você não suporta determinada situação.

Há uma grande diferença entre "eu prefiro terminar porque não aguentaria esta situação" do que "eu te proíbo de ir". Uma delas é uma escolha sua, outra é castrar o outro. Você não pode obrigá-lo a ficar, da mesma forma que ele não pode te obrigar a suportar essa situação. Há escolhas e você deve deixá-las abertas para que cada um decida por si.

Nisso sempre tive muita sorte. Nas últimas conversas com o Paulo, temos conversado sobre novas perspectivas para o meu futuro profissional e ele sempre apoiou todas as minhas decisões. O mesmo posso falar sobre o apoio incondicional em congressos (tendo ido na maioria deles), pelo simples fato de me prestigiar e também para que sua presença me acalmasse um pouco.



Muita gente se surpreende com isso, mas... O certo não seria que esse apoio fosse uma prática normal, dentro do possível? Acho que eu realmente ou tenho muita sorte ou o mundo está invertido mesmo. Sei que amor e posse são coisas completamente diferentes. E ainda bem que encontrei alguém que pensa como eu.


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