24, e agora? Sobre crises de idade e novas perspectivas

Uma das coisas que eu sabia que iria acontecer este ano era ter a "crise dos 24". Isso porque, para mim, os 24 anos eram a idade do sucesso (como falei antes aqui). E por mais que fosse uma crise antecipada, eu não soube lidar com isso. Na verdade, não está sendo fácil lidar com isto.

Enquanto muitas pessoas passam a questionar os caminhos da sua vida quando chegam aos 30, eu comecei a fazer isso próximo ao meu aniversário de 24. Isso porque quando você constrói uma década de sonhos e expectativas que na verdade não se efetivam, você fica perguntando onde foi que falhou.
Le eu arrancando os cabelos com a crise dos 24

No fundo uma das principais coisas que nos leva a uma crise de idade é o excesso de confiança e otimismo que temos sobre nós e esquecemos que há coisas lá fora que interferem nas nossas vidas. Você não pode sonhar com independência se, por mais que se especialize, está inserido em uma área em crise. Você não pode sonhar com situações que dependam de terceiros para que se concretizem. No fundo, a analogia é com aquelas coisas que a gente aprende em Metodologia de Pesquisa no Mestrado: você não tem controle sobre todas as variáveis.

E então o segredo é se reinventar e se permitir coisas novas. Novas perspectivas e novos sonhos. E muitas vezes eles estavam lá, na nossa cara, e nós não percebemos. E muitos dos nossos questionamentos podem ser respondidos se olharmos para trás. 

Um exemplo:

Um dos pontos fortes da minha crise era que eu não me sentia segura com o caminho profissional que estava seguindo. Isto porque desde sempre eu tinha a ideia de que "professora, nunca! Não tenho paciência para isto, muito menos jeito! E ah, sou tímida!". Também questionava a qualidade da minha produção acadêmica e se realmente este seria o caminho, se seria realmente algo que gostaria.

Até que semana passada pisei pela primeira vez em uma turma de graduação não mais como aluna. E de alguma forma inexplicável eu me senti mais realizada do que em qualquer outro momento da minha trajetória profissional (menos com o blog, amores. :P). Eu percebi que o que sempre neguei (quando professores, parentes, colegas e amigos falavam isso comigo): eu tinha vocação e gostava de ensinar. Eu só tinha uma visão preconceituosa e estereotipada do ensino público fundamental - e esqueci que haviam outras possibilidades para mim. 

E então, caiu a ficha: é um caminho bem mais longo e árduo para se alcançar, mas... Por que não? É lógico que vai envolver eu pirando, os medos e as incertezas ao longo dos próximos anos no doutorado, mas... Quando você sabe logo de cara com o que terá de lidar, e em nome de algo pelo qual se apaixonou, tudo fica mais fácil e suportável.

No mais, sempre devemos buscar nossos sonhos sem colocá-los nas mãos de terceiros. Temos que tomar as rédeas do nosso destino e assegurar que seremos capazes de levar a frente e que qualquer adversidade poderá ser contornada por nós.

As vezes nossos caminhos não serão o que esperamos, mas e aí? Você vai ficar parado aí desistindo de tudo ou vai descobrir formas de contornar isso? ;)

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