Reflexões sobre brigas no relacionamento

Quando estivemos no bate-papo com o Carpinejar, ouvimos algo que, pessoalmente, me marcou profundamente. Nós contamos nossos maiores segredos para nosso companheiro. E é cruel quando isto vem a tona em uma briga. Principalmente porque a pessoa amada sabe exatamente onde conseguirá nos machucar.

Dizer que há a certeza de que o outro nunca irá te ferir é impossível. A convivência com seres humanos nos condiciona ao estrago, tal como aprender a andar de bicicleta. Em algum momento você irá cair e se machucar - mesmo que seja quando você estiver expert na pedalada, um pequeno buraco no chão passado despercebido irá fazer você cair.

Não acredito que qualquer pessoa que realmente ame realmente DESEJE machucar o outro. Mas faz isso. Mais do que imagina. Principalmente em uma briga.

Você pode não saber conscientemente, mas poderá tocar o dedo em uma ferida. Explorar o medo confidenciado. Trazer a tona marcas do passado. Explicitar erros já perdoados que deveriam ficar escondidos, enterrados porque já passaram.

Você pode ser a pessoa que recebe o segredo regurgitado da boca do outro; pode ser você aquele que vomita as palavras em tons de ódio.

E quando a raiva passa, ficou ali um corte difícil de sarar. 

Acho que pior do que uma pessoa aleatória te magoar é justamente seu companheiro, seu confidente, seu melhor amigo te magoar; também é péssimo (talvez mais do que ser magoado) é quebrar a confiança daquele que te entregou o coração e seu amor incondicional. Porque amar, meus amigos, não é fácil. Receber um coração que pode ter sido magoado por outros e que está ali, disposto a te amar esquecendo todo um passado, acreditando na força do seu sentimento.

Amar é para os fortes.

E se você recebeu esta dádiva, algo tão raro em um mundo de egocentrimos e valorização do selfie, vale a pena parar. Vale sair do cômodo. Interromper o diálogo. Pensar três, cinco, dez vezes naquele rosto que está na sua frente, muitas vezes querendo alertar para algo que pode contribuir positivamente para vocês - e não atacar ou reclamar simplesmente. Lembrar de quantas vezes essa pessoa te poupou dos teus fantasmas. Guardou teus segredos. Se calou quando poderia devolver a raiva por uma mera questão (equivocada) de justiça.

Não deixe que cinco minutos cego quebrem algo construído provavelmente por anos e que poderia durar uma vida inteira. E não estou falando do relacionamento apenas. Falo da entrega condicional de uma parte tão íntima do outro, que você deveria fazer como tesouros: guardá-lo e protegê-lo de todos e até de você mesmo.

0 comentários:

Postar um comentário



 
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS - COPYRIGHT 2015