24, finalmente

Quando era criança, tinha uma brincadeira bem interessante, que de certa forma falava muito sobre você. Você deveria colocar em um quadrado a idade com que queria casar, o nome de 3 pretendentes, 3 cidades em que gostaria de passar a lua-de-mel, os números 1, 2 e 3 (que corresponderiam ao número de filhos que vocês teriam), e as palavras "pobre", "rico" e "milionário". Então você rodava 24 vezes entre estes números e ia cortando, até sobrar um de cada, como na imagem abaixo.

Droga, queria lua-de-mel em Paris

Todas, absolutamente todas as vezes que eu fiz, eu sempre coloquei "24"  a idade com que queria casar. Eu, com a minha ansiedade extrema, fiz as contas: terminar o Ensino Fundamental com 15; terminar o Ensino Médio com 18; terminar a Graduação com 22, teria entre um ano e meio e dois anos para ser bem sucedida. Um emprego bacana, ser reconhecida na minha profissão, estar morando sozinha desde os 18 e ter encontrado uma pessoa que fosse especial para casar. Assim, os 24 seriam a idade do sucesso (quem viu "De repente, 30, entendeu a referência). Parecia que quase todas as coisas que esperava a vida toda estariam concretizadas nesta idade (menos filhos, que viriam entre os 26 e os 28).
Eu segui todos os passos impecavelmente. Entrei em um colégio bom no Ensino Médio que garantisse (junto com algumas muitas horas de estudo) que eu passasse de primeira para a UFJF, fiz a faculdade de forma impecável para formar no tempo certo. Por sorte, eu conheci o amor da minha vida com 15 anos e estamos juntos até hoje.

Então esta semana fiz 24 anos e talvez todos os planos feitos há pelo menos 15 anos (é mais, eu sei) parecem extremamente distantes da realidade.
Bolo bolo bolo boooolo!
Isto é extremamente complexo de lidar - e  acho que até hoje não estou lidando muito bem com esta frustração. Mas serviu - e serve - para pararmos de nos limitar pelos nossos sonhos antigos. Quando eu tinha 10 anos, a vida de quem tinha 24 era completamente diferente de hoje em dia. As perspectivas, oportunidades, o caminho de vida, tudo é completamente diferente.

E os caminhos da vida mudam. Minha decisão por uma área acadêmica tornou o percurso mais lento. Algumas escolhas que independiam de mim afastaram alguns planos. Adaptar e mudar, essa é a maior lição que este último ciclo me deixou.

Também me ensinou a ser menos dependente e esperar menos do mundo, das pessoas e do destino. Me ensinou a ser mais resiliente. Ensinou que eu só posso controlar aquilo que depende apenas de mim. O resto, a gente aprende a lidar e a trabalhar.

E o mais importante, você não pode ver a sua vida com a ótica de um mundo de quando você tinha 10 anos. Os sonhos mudam, você muda, a realidade muda, as condições econômicas/sociais/políticas mudam. E, no fundo, ainda bem que é assim, não é mesmo? Imagine que chato seria se tudo tivesse acontecido perfeitamente certo?

;)



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