Você vai encontrar o amor da sua vida.

Não haverá despedida mais forte do que o nosso início. 
Fabrício Carpinejar

Muitas pessoas passam a vida procurando o amor perfeito. Aquele que irá completá-lo (por mais completo que se sinta no momento); que irá trazer as borboletas ao estômago; que um dia você irá olhar nos olhos e perceberá que há muito mais naqueles olhos do que você seria capaz de perceber em uma vida e a vontade é ficar ali observando cada detalhe para sempre; alguém que curiosamente você fica se perguntando: "o que existiu na minha vida sem el@ mesmo?"; alguém que faça com que nada seja loucura - é apenas amor.

Alguns vão demorar uma vida para conhecê-lo. Talvez só descubra-o quando estiver ali, com seus 50 anos, em uma vida estável, talvez até mesmo recém-saído de um casamento e com filhos e irá descobrir que tudo que não sentiu na vida até então surgiu ali, como uma esperança de renovar a vida na meia idade.Talvez você tenha conhecido el@ com 17 anos e por algum motivo estúpido o deixou escapar - vontade de curtir a vida, talvez? Pode ser que vocês tenham uma vida feliz juntos até que, por algum motivo a jornada seja interrompida - e você ter certeza de que ninguém será capaz de mexer tanto assim com você.

Eu tive sorte. Eu soube naquela manhã de 5 de maio de 2007. 

Era por volta de 10:15. Eu sequer sabia se não iria cometer a gafe de não reconhecê-lo, de ficar em dúvida. E por algum motivo meu coração saltou antes que eu pudesse realizar o processo cognitivo que começaria com o reconhecimento de que era ele ali, e que culminaria com outro processo de semiose: eu falando "eu não acredito". 

O coração gritou. E eu não tinha ainda entendido o porquê.

E de tantas coisas belas daquele dia, a certeza que poderia ter se feito na forma como o beijo se desencontrou e rimos, da forma como nossas mãos se encaixaram tão perfeitamente, sem disputas com quem ficaria com a mão por cima e a outra por baixo, da forma como parecíamos eternos namorados no primeiro encontro e como minha cabeça encaixava tão perfeitamente no seu ombro, enfim, nenhuma destas coisas foi o que confirmou a hipótese do "era ele". 

A certeza veio na despedida. Era um dia perfeito, mas havia sido menos de 8 horas de convívio. Éramos namorados, mas tínhamos trocado os primeiros olhares 2 horas antes do pedido. Quando pisamos na rodoviária, o coração saltou novamente. A mente, mais uma vez, não havia ainda percebido: então, termina aqui e amanhã acordaremos cada um na sua cama sem entender muito bem o que havia acontecido realmente no dia anterior. Mas o coração doeu. E o choro veio antes da razão.

A primeira despedida foi a mais dolorosa de todas. Começou antes do ônibus encostar. Os olhos teimavam em insistir mais um segundo: ainda não deu para decorar como os olhos castanhos iam para mel e quase verde quando o sol batia neles. Não deu para deixar que a mão tivesse esquentado o suficiente a minha. O cabelo ainda não tinha se moldado perfeitamente aos teus cafunés.

Eu sabia que não era a última vez. Mas não sabia que não estava preparada para o primeiro "tchau". 

E você irá perceber isso quando encontrar o amor da sua vida. Nunca um "tchau" será tranquilo. Não importa se vão se ver amanhã ou daqui a 40 dias (como foi nosso caso). A primeira despedida irá deixá-lo tonto. Você ainda não entenderá, de alguma forma a presença ficará, mas a saudade, mesmo o olhando a poucos metros de você (no meu caso, pelo vidro da área de embarque e do ônibus) começará. Será aguda. Talvez lhe falte ar. E sua mente entrará em conflito: "mas vamos nos ver de novo". O coração não quer esperar. Um segundo será muito. Será o infinito. O último olhar durará para sempre.

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