[Relato] O que aprendi após um ano de graduação


No último dia 25 de fevereiro completei 1 ano de graduada. De alguma forma, achei que tinha a obrigação de repassar algumas coisas que aprendi neste caminho. Não, eu estou longe de ser um exemplo do "faça como eu fiz", pelo contrário. Este post se trata muito mais de repassar meus erros para vocês, para que não façam como eu. Caminho certo? Não sei ainda. Mas sei que andei boa parte destes 365 dias pelo caminho errado.


  • Não se prenda a apenas uma coisa: quando optei por fazer o mestrado logo após a graduação, eu achava que logo no início teria um bolsa e as coisas poderiam ser mais tranquilas, e que eu poderia ter esses dois anos para me capacitar e conseguir um emprego melhor, que pagasse mais do que a bolsa e, então, seguir o plano de me inserir no mercado e depois ir para a academia. Bom, eis que estamos em março de 2015, um ano após minha entrada no mestrado e as chances de eu conseguir uma bolsa são muito menores do que há um ano. Pensando assim, não me lancei em estágios durante a graduação (adorava a Iniciação Científica), achando que teria tempo para corrigir minha inexperiência. Ledo engano. Nem sempre seus planos iniciais serão cumpridos e você se verá em maus lençóis.
  • Tenha sempre um plano B: como eu tinha um plano certo de vida, me vi apavorada quando ele não seguiu o que eu pretendia. Resultado: uma pessoa desesperada e perdida virando franco-atiradora, sendo concurseira, mestranda e fazendo cursos EAD online para resolver minha falta de experiência. O que ganhei nesses 365 dias? Leituras atrasadas, poucos concursos com chances de passar e poucos cursos acrescentados no currículo. Se eu tivesse me planejado melhor, teria sofrido menos neste ano.
  • Os momentos mais bonitos podem sofrer um revés: eu ainda lembro como me sentia 24h antes da minha colação de grau e como tudo se transformou em um sentimento de angústia, tristeza e desespero quando entrei no Cine Theatro Central para colar grau. O que todo mundo acredita ser um dos momentos mais importantes da vida acabou sendo bloqueado na minha memória. Como me senti naquela noite prefiro esquecer. Tudo por uma única frase que botou responsabilidades demais no meu ombro que eu podia suportar.
  • Abrace apenas as causas pelas quais possui responsabilidade e que pode cumprir: Esta frase que botou responsabilidades demais no meu ombro fez com que eu ganhasse alguns problemas de saúde, cabelos brancos e olheiras intermináveis, além de algumas desidratações. Me sentia responsável por um caos que estava certo a acontecer, e vivia um eterno relógio em contagem regressiva. Sempre achava que chegaria o momento que teria que abandonar tudo que eu havia sonhado para minha vida profissional e seguir outro caminho. As pessoas a minha volta que deveriam me apoiar acabaram se tornando aceleradoras desse relógio. E não falo pela pressão de arrumar um emprego (esta eu tenho sozinha, obrigada), mas sim por outras responsabilidades maiores que essa. Resultado: nada mudou e a única coisa que perdi foram uns anos de vida saudável pelo caminho.
  • Não se iluda com o mercado: Eu sabia que seria difícil quando formasse, é um mercado acirrado. Mas não me iludi que teria que comparecer apenas a 3 entrevistas em 365 dias. E nem que o mestrado fosse o critério que me tiraria da vaga em 2 delas (sim, contei o critério falta de experiência antes de afirmar isto. Eu sei o que me perguntaram e sei como a entrevista mudou o trajeto quando falei do mestrado).
  • Não seja preconceituoso com concursos: Quando eu formei, havia acabado de sair um concurso para a UFJF. Eu, querendo seguir o plano de me dedicar apenas ao mestrado, não fiz. Perdi a melhor chance para já ter começado a minha vida. 
  • Ande com a plaquinha: "Eu não vivo em 1980": Nesta época ter um diploma era certeza de trabalho (nem tanto assim. Amigos do meu pai trabalham hoje no Banco do Brasil porque não conseguiram emprego nas suas áreas de formação. Tudo bem que tomei caminhos errados neste tempo, mas isto não significa que o mercado esteja fácil. E quando digo isso, falo porque em momentos de desespero eu enviei currículos para vagas abaixo do meu nível de escolaridade. Resultado? Nem o "obrigado pelo interesse em nosso processo seletivo". Amigos meus passam pelo mesmo problema: formados e não conseguem atuar em sua área e nem em empregos de nível médio. Algumas pessoas mais velhas (principalmente seus pais) vão te chamar de acomodado, falar que você que está enrolando, que não quer trabalho, quer emprego. Por isso já aviso: faça meditação, ioga, lutas, artes maciais para controlar os ânimos quando isto acontecer.
  • Fale o mínimo de sua vida com as pessoas: Mesmo você falando pouco, elas se sentirão no direito de dar pitacos na sua vida, criticar o que elas não sabem, achar que você está acomodada numa situação enquanto você vira madrugadas tentando dar conta de algum bico, dos artigos do mestrado, as leituras para a dissertação, aprendendo Direito Administrativo para algum concurso dali a 50 dias e ainda tendo que arrumar tempo para a social com os amigos e família. Imagine se você contasse sua vida inteira para eles, como seria.
  • Diminua suas expectativas, principalmente sobre as pessoas mais próximas: Alguns não farão por mal, outros farão pelo próprio ego. Muitas pessoas não compreenderão seus dilemas, porque você as vezes deixa de tomar café da manhã para já ligar o notebook e adiantar a vida, não vão entender porque as saídas nos fins de semana vão diminuir, as conversas no WhatsApp ficarão mais rápidas, e porque aquelas 3h seguidas de conversa todos os dias são quase um sacrifício para você. Elas não entenderão que, tal como elas sofrem acreditando que é um descaso ou indiferença suas, que você está se sentindo um loser por estar nesta situação e se sentindo pior ainda por não estar dando conta da sua vida pessoal e magoando pessoas. Por isto, não espere que as pessoas mais próximas vão apoiar você e compreender a barra que está passando. Não se espante se elas cobrarem muito mais do que você pode efetivamente dar. Claro, seja auto-crítico: será que eu posso realmente fazer mais por aquela pessoa? Se não puder e ela ainda assim cobrar, não se espante. É assim mesmo que funciona.
  • Reestruture seus planos quantas vezes for preciso: Não se agarre a determinadas expectativas. Eu, por exemplo, dividia meu dia em 3 partes: mestrado, concurso e cursos, com uma pausa para academia, 30min pro almoço e só. Chegando a Qualificação, vi que isto não seria nem perto de suficiente para dar conta do mestrado. Resultado: adeus todo o resto. Vivi 30 dias pelo mestrado, porque foi preciso. Não saí para fazer social em Juiz de Fora em 2015. Se acho isso saudável? Não, não acho. Mas foi um sacrifício necessário.
  • Escolha uma prioridade: O que você não abre mão na sua vida no momento? Hoje para mim é o mestrado. Se remoer por abrir mão de todo o resto me fez uma pessoa muito infeliz por diversos meses. Os insucessos nos concursos, os cursos que demoravam meses para concluir, as terças e quintas que eu queria treinar Muay Thai sozinha e tinha que desistir, porque precisava voltar correndo para casa. Sacrifícios são necessários, e você precisa entender isso para não entrar em depressão quando tiver que abandonar outras coisas em prol de algum sonho.
  • Não abandone pequenas, mas boas ideias: Boa parte da minha ausência no blog foi exatamente porque achei que fosse a coisa de menor importância no momento. Deixei de ver que, mais do que o diário das coisas boas e ruins até o casamento com o Paulo, ele era uma ótima oportunidade profissional. Infelizmente demorei um ano para aceitar isso e correr atrás de reestruturar este espaço (que ainda precisa esperar até 13 de março para começar a ver estes detalhes). Por isto, por menor que seja a fagulha de algo que vai ser bom para você, invista. As vezes é muito mais do que você espera e não está acreditando no momento.
Então, estes são apenas alguns ensinamentos desses 365 dias mais tensos que já passei. Espero que ajude muitas pessoas a não cometerem os mesmos erros que eu cometi. Se um dia eu encontrar o caminho certo, talvez quando completar 2 anos da minha jornada possa apresentar o que de bom vocês devem fazer. Sucesso para vocês!


2 comentários:

  1. Eu tenho dois anos e poucos meses de formada e nenhum emprego até hoje, só bicos. Admito que sou covarde e não tenho coragem de me jogar no mundo mas onde eu moro, é muito difícil conseguir emprego também. Pra não ser completamente inútil, faço outra graduação que mesmo assim, não me deixa satisfeita. Então, vou só afundando no meu buraco sem fim...pq eu já não tenho forças pra lutar, cada dia que passa, é um dia a menos de experiência e um dia mais velha no mercado de trabalho...

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  2. Nossa, seu texto foi de muita valia para mim.
    Faço faculdade e as vezes tento abraçar o mundo. E como isso não dá para acontecer, fico decepcionada comigo mesma. Ano passo deixei de fazer coisas que gosto para fazer atividades que julgava ser mais importante. Mas quer saber? Não eram.
    Esse ano resolvi voltar com algumas atividades prazerosas e isso está me fazendo muito bem.
    Espero que tudo na sua vida se ajeite, que você conclua seu mestrado com êxito,, sem deixar de fazer atividades que te alegram.
    Beijão

    http://furubeba.blogspot.com.br/2015/03/il-volo.html

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