Carta para 2014

[Inspirado no post do Cícero no Facebook, decidi fazer meu balanço 
deste ano diferente. Espero que gostem]

Olá 2014,

Sei que tivemos uma relação extremamente conflituosa. Você me surpreendeu muitas vezes de forma que considerei negativa. Talvez no momento não pudesse entender que só nos tornamos fortes quando treinamos nossa resiliência. Resiliência. Esta foi a palavra-chave que definiu você,

Você bateu. Forte. Se sempre fui forçada a sair da zona de conforto, dessa vez tive que lidar com verdadeiras revoluções. Tantos novos ciclos que me senti no meio de um turbilhão. Quando menos esperei, estava formada, mestranda, com diversos problemas pessoais a resolver e nenhuma certeza. Nenhuma. Nem mesmo sobre mim.

Neste ano me reinventei tantas vezes. E ao longo do tempo percebi uma frieza no olhar. Foi quando recebi o toque (que soou mais como um soco) de que havia esquecido a leveza, a beleza, aquele jeito de ver o mundo que me motivava e inspirava. Ainda não está tudo perdido. Talvez ainda haja chances para observar os diversos tons de por-do-sol; para sentir cheiro de flores; para apreciar boa música; para que os pássaros possam me surpreender ao despertar; que a literatura volte a me inspirar.

Inspiração. Faltou. Vazio. Abandonei projetos. Abandonei minhas musas. Deixei que o eu-lírico se calasse. E não é culpa sua, caro amigo. Mas termino este ano com promessas de coisas boas.

Promessas futuras. Foi assim que você consertou as decepções que eu tive. Seu parceiro virá com chances de me surpreender com novas parcerias acadêmicas, Com novas percepções de mundo, Com novos sentimentos dentro de mim. Novos projetos. Novos sonhos. Novos rumos. Novas cidades. Mas ainda com o mesmo desejo insano de não permitir que nenhum desses morram antes da hora. Larguei muitas coisas.

Desorientei-me. Parece que o turbilhão acabou me roubando os sentidos. Tateei por diversas direções sem entender que não há para onde ir se você não definir um rumo. Demorei para perceber isto. Você me ensinou isso de formas cruéis, mas necessárias. E me ensinou a lidar com fracassos. Muitos.

Perdi mais do que gostaria. Perdi oportunidades. Perdi foco. Perdi amigos - alguns definitivamente, outros talvez possam retornar. Perdi a fé inabalável. Perdi mais um pouco da ingenuidade. Perdi a fala, a voz, os sentidos muitas vezes. Perdi medos. E com isso ganhei muitas coisas: novos gostos, novas pessoas, novas chances, uma nova forma de encarar os problemas.

Eu quis culpá-lo por diversos desses pontos negativos. Mas a culpa não foi sua. Sim, talvez a posição de algum planeta em determinados períodos astrológicos, ter passado debaixo de alguma escada, não ter cumprido alguns ritos, não ter feito nenhum pedido quando você chegou possa ter influenciado em algo. Mas cansei de delegar culpas erradamente. Você me ensinou a observar e arcar com meus erros. A não ser arrogante e admitir meus erros em voz alta. Sim, porque não é humilhante admitir isto, diferente do que muitos pensam. Orgulho foi a última coisa que me levou a algum lugar durante sua estadia em meu caminho.

E é assim que caminharemos até você se despedir definitivamente. Ainda temos 16 dias para você me ensinar mais ainda. Para que possamos talvez rir um pouco, chorar mais um pouco, retornar a sonhar, devolver o impulso, a loucura, a doçura. Te peço desculpas por ter te visto quase como inimigo. Ainda temos tempo para reatar nossos laços. Me surpreenda.

0 comentários:

Postar um comentário



 
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS - COPYRIGHT 2015