Take it easy

Esse é um dos textos mais difíceis que penso em escrever para o Blog. Principalmente porque há quase uma semana eu pensava em outro tema, depois de ter lido esse post do SpottedJF. Pensei em escrever algo bacana e enviar para a pessoa certa sobre o tema. Mas infelizmente não tive tempo e não terei oportunidade para isso.

Mas não vim aqui para contar essa história, mas sim sobre como este fato influenciou minha perspectiva sobre a vida, sobre a minha vida, sobre como tenho encarado muitas coisas. Não é de hoje que olho para alguns momentos e penso que no fundo estou aproveitando-os só de passagem. Acontece quando você se divide entre Freelancer, Mestrado e Concurso. Uma rotina nada agradável e que me levou já a duas crises de estafa. E num dia de extremo cansaço, onde houve a junção disso tudo com stress e chateação, percebi o quanto minha pressão se alterou, me fazendo ter uma madrugada ingrata.

Ainda não tive muito tempo para realmente contemplar meus pensamentos quanto a isso. E é exatamente isso que preciso. Tempo para contemplar. Refletir. Repetir meus hábitos queridos de simplesmente olhar a noite, escrever, ser mais humana, menos máquina.

E tem horas que precisamos saber que é preciso abandonar certas coisas em prol de outras. Já senti meu corpo falhar algumas vezes. Já tive o desprazer de passar meses trancada dentro de casa, ignorar amigos, sair com a cabeça em casa, de ficar amuada (na verdade não tive, ainda tenho esse desprazer), desanimada, simplesmente observando a vida passar e me tocar que já estamos em novembro, quando a última vez que respirei um cado de verdade foi em fevereiro.

Não é covardia admitir neste momento que abandono muitas das coisas pelas quais ando lutando no momento. Na verdade não é abandono, é adiamento. Um passo de cada vez, um dia de cada vez. Se chegar o amanhã para lutar por aquilo, ok. Até lá, tenho outros objetivos a cumprir.

E se não fosse pela pauleira, pelo stress e excesso de preocupação, talvez tivesse rido mais, brincado mais, zoado mais numa certa tarde/noite de julho pós-jogo do Brasil e não me arrependesse tanto no momento. A alergia não teria despertado. Eu não estaria sonolenta. Não teria abraçado causas que não são minhas. E teria me permitido viver mais minha vida naquele momento do que a vida de outras pessoas que não vão mudar suas decisões independente do que eu consiga ou não.

É preciso sim ter coragem para admitir que é preciso maneirar. Controlar. Somos forçados a achar que cada desistência é uma derrota. Que é um fracasso. Que nós jovens no calor da nossa idade devemos sim correr atrás de uma, duas, três, mil coisas ao mesmo tempo. A idade e a saúde estão a nosso favor. Mentira. Não estão. O ritmo acelera, mas o corpo não corresponde. Temos tecnologia para mil coisas, mas o coração e o cérebro não acompanham todas elas. São expectativas que recaem sobre nós. Não adianta ser formado, não adianta ser mestrando, não adianta estar correndo atrás. Ou você conquista para ontem, ou você é vagabundo perto de tantas oportunidades que se abrem por aí. Gostaria de poder dizer que isso é uma falácia. Uma das maiores falácias.

Se eu pudesse dizer algo para você que está lendo esse texto, diria: relax, take it easy. Você pode optar por querer conquistar o mundo agora e viver trancado em uma ilha. Ou pode construir um passo de cada vez e se dar ao luxo de ver um filme (quanto tempo não faço isso em casa sem preocupação?), ler um livro (que desde a graduação não faço direito), passear, viajar sem se preocupar em checar e-mails, Eu sinto que perdi o ano de 2014.

Sinto que perdi a oportunidade de estar com um amigo que tanto ajudou no relacionamento antes mesmo dele se tornar um (e talvez sem uma parte deste apoio eu teria desistido), de ter reconciliado com ele, de ter perdido bons momentos, de realmente viver e não sobreviver. De bater palma para o pôr-do-sol no Arpoador. E de voltar lá no amanhecer, depois de ter virado a noite fazendo algo que eu amo: dançar sem me importar se estou mandando bem ou não, e bater palmas novamente. De dizer mais vezes que amo, o quanto amo, berrar o amor pela rua sem ter medo da vergonha - esta que não existe quando se trata deste sentimento. Vivemos apenas uma vez. E não sabemos até onde isso vai, e também não sabemos até onde vão as pessoas que amamos e que seguem conosco nesse caminho. Mas sem paranoias quanto a estas questões. Sejamos apenas menos maquínicos. We're here for the ride.

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