Hoje li uma notícia que me deixou muito... Sei lá... Não sei se triste ou chateada é a palavra. É incrível como tragédias alheias mexem comigo. Uma delas me salvou de uma crise depressiva há 10 anos. E hoje uma delas me deixou meio em choque. 

Gosto de ler notícias de pessoas que não têm medo de se declararem. Talvez seja pelo meu lado canceriano. Talvez seja porque minha fé no mundo anda tão abalada nos últimos anos (e tem piorado tanto), que quando vejo coisas assim, elas restauram minha fé em almas iluminadas.

Mais ou menos um mês atrás, um homem pediu uma garota em casamento no avião. Por si só já era extremamente romântico e, como sempre, me afetou mais do que deveria. Ele postou o vídeo na Internet, e alimentou o coração de pessoas desiludidas como eu. Pessoas que precisam muitas vezes de força para encontrar uma fagulha de esperança por aí.

Eis que ontem, no maravilhoso grupo Noivinhas de Plantão, uma delas publicou que o noivo havia falecido em um acidente de avião. (Ele era instrutor de voo). (Leia a notícia)

Teria mil coisas que eu poderia dizer. Muitas são repetições de clichês. Muitas seriam frutos de 10 anos de reflexão sobre vida, morte e influência da segunda na primeira (devido a uma porrada violenta que tomei num certo 26/01/2004, assistindo Fantástico, história para outro post.). Mas não é isso que eu quero falar. Quero falar sobre exposição x declaração.

Vejo demais em redes sociais de pessoas que criticam casais que vivem de 'mimimi' no Facebook, mas na vida real chifram, sacaneiam e tudo o mais. Sim, existe muito disso, mas não são sobre estes casos que quero falar. Quero falar sobre pessoas que não tem medo de se expressarem.

Eu cresci de uma forma que hoje vejo como cruel: eu não sei expressar sentimentos de forma alguma. Muito demorei para aprender a passar isso para o papel, onde não sofreria com constrangimentos, com a timidez, e não me inibiria com a reação da pessoa. Algumas coisas contribuíram, inclusive duas declarações adolescentes frustradas.

Por muito tempo eu fui a pessoa que mandava cartas com 3, 4, 5 páginas dizendo o quanto algumas raríssimas pessoas significavam para mim. Era a forma de tirar este peso do meu coração e deixar que estas pessoas soubessem o quanto eu as amava. Mas, mais uma vez, tomei porradas da vida, muitas delas destas mesmas pessoas e me retraí novamente. Ocorreu um movimento contrário: eu perdi muito da minha timidez e ganhei uma dificuldade enorme em as vezes dizer um 'eu te amo' ou 'você é importante para mim'. Ou até mesmo um 'você é um fdp' ou 'to puta contigo' (sim, na via negativa também fui afetada)

Meus textos acabaram se perdendo, as cartas nunca mais foram escritas. Sinto falta imensamente disto. Era a minha essência. Afinal, onde já se viu uma canceriana que não sabe ser sentimental?

Admiro muito quem mete a cara. Quem não sofre com a zoeira alheia. Quem não tem vergonha, timidez de admitir para todo mundo o que sente por alguém. E por isso admiro este noivinho, que não só fez uma declaração lindíssima para a sua noiva, mas que ele mesmo fez questão de postar. E posso estar errada, não foi por status ou para se exibir, ou se expor de forma errada, mas para compartilhar uma felicidade com quem lhe queria bem.

E se isso nunca tivesse sido feito? E se ele tivesse sido a pessoa fechada, que guardava seus sentimentos pra si e levado este pedaço dele consigo? Eu não sou a favor da prostituição sentimental, em que as pessoas dizem 'eu te amo' até para o ficante da balada, para o coleguinha com quem não divide nem o pacote de Doritos. Sou a favor da coragem. De ousar afetar outras pessoas com a sua felicidade. Cativar. Gosto dessa palavra. Cativar. (Sou cria d' O Pequeno Príncipe, com louvor). Acho que quando se perde a vontade de cativar as pessoas, você se torna refém do seu próprio ego. Viver apenas para si e aproveitar uma oportunidade ou outra de pessoas transitórias que passem pela sua vida. Acho que isso é desperdício de vida. Principalmente, pela vida ser tão frágil e se esvair pelos dedos quando menos se espera (mais uma vez, o tema de um futuro post, com esta década de reflexões).

Queria poder abraçar esta noivinha. Dizer que compartilho da sua dor. Não na mesma intensidade. Não da mesma forma. Mas que sinto dor porque o ato dele me cativou. E ficou uma parte dele comigo, me influenciando para talvez curar este medo de abrir meu coração com medo de deixar entrar e tomar espaço quem vai quebrar as paredes e ir embora.

... porque quando a rotina, o medo, as angústias, o stress e todas as coias ruins apertam, é buscando estes pequenos e simples gestos que encontramos nosso porto seguro.

  • A gente vive se inventando quando o que arrebata é a simplicidade. [Carpinejar]



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