Véu.

(Esse é mais um daqueles posts de 'terapia de grupo', relatando reflexões do meu cotidiano)

- "O problema de fazermos novos amigos é que com o tempo nós vamos ficando menos tolerantes".

Fiquei com essa frase na cabeça o dia todo. Ouvi ela no metrô, de um certo anjo da guarda, enquanto ia para a rodoviária, voltando do Rio. 

O quanto essa frase é verdadeira?

Bom, eu nunca fui lá a pessoa mais calma do mundo. Mas talvez as coisas me irritassem menos há alguns anos. Não sei onde foi o ponto de virada exato, mas eu, confabulando em 3 horas de viagem com as vozinhas interiores, percebi que ser adulto é olhar mais para si, entender mais de si e colocar um véu sobre a face, que te faz enxergar a realidade de uma forma distorcida.

Parece que as coisas não bastam. Parece que tudo é muito pouco, quando não é.

As vezes os pequenos gestos, tão perfeitos do amor, nos passam despercebidos.

Depois de uma longa conversa no final de semana, o 'momento epifania' veio quando comentava com uma amiga sobre um gesto do meu anjo da guarda.

Voltaria cedo do Rio, no horário do almoço. Não teria tempo de comer. Pedi para arranjar algo para comer, qualquer lanche. Quando digo isso, penso em coisas rápidas para pegar, como uma barra de cereal, um biscoito, uma fruta... Chego na cozinha e o macarrão que fizemos a 4 mãos (e que ele teimou que deveria ter sido a duas) estava separado, em um pote no microondas 'só para perder o gelo'. Separado com um garfinho embrulhado por um guardanapo.

Pessoas com esse véu: O que isso tem de mais, você não pediu a ele?

Eu: Ele poderia ter simplesmente ido trocar a sunga molhada pós-banho de mangueira, ter feito com que eu comprasse um lanche no Bobs da rodoviária, ter dado qualquer coisinha simples. Mas me deu a oportunidade de comer mais um pouco do nosso jantar romântico... E inclusive, pelo o que me pareceu, houve uma tentativa de caçar alhos bem torradinhos em pedaços para me agradar.

Muitas vezes fechamos nossos olhos para essas coisas.

Fechamos os olhos quando nossos companheiros fazem questão de ir num programa que não são muito afim só para aproveitar um pouco mais da nossa companhia, quando fazem questão de aprender 'as coisas do nosso mundo', quando fazem algum tipo de sacrifício para apreciar um trabalho nosso, quando cozinham para nos agradar, ou o simples fato de vir delicadamente com um toque suave na pele, para não nos assustar ao nos acordar. Fechamos os olhos quando nos dizem claramente coisas importantes, quando fazem alguma gentileza, quando saem do seu mundo de chateação simplesmente porque não suporta nos ver chorar. Quando seguram nossas mãos.. Quando insistem por mais um segundo para irmos a praia, mesmo no meio do caos, só porque sabe que isso fará bem...
Eu até muitíssimo pouco tempo estava com esse véu. E esse post, mais do que alertar as pessoas que acompanham o blog, é uma pequenina forma de me redimir com quem fez tanto por mim. Endureci demais ao longo desse tempo e acabei me fechando para a pequena poesia que foi construindo com seus gestos. Não é justo. Obrigada por tudo e mais um pouco. E desculpas.

Não tenho a foto do nosso lindo (e delicioso) jantar, com direito a chocolate cremoso (hehe), mas fica aí a foto de um outro momento importante deste final de semana que passou. 


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