Sobre repressão e liberdade

O post de hoje era pra ser outro, mas achei que diante da semana que eu tive, era necessário uma mudança de foco. Talvez porque o sentimento que me bateu possa ser o mesmo em outras pessoas e, sabe aquela história de terapia motivacional? É mais ou menos o contexto dessa postagem.

Para quem não conhece a Luciana (Sim, diferente da "Lu"), duas características sempre fizeram parte de toda a minha vida, desde criança: forte repressão e uma auto exigência fora do comum. Não errar, não quebrar expectativas alheias, ser sempre aquilo que a sociedade cobrou de mim. Não, mentira. Não era a sociedade que cobrava de mim, mas as pessoas próximas a mim. Muitas delas pessoas que eu amava. Nunca liguei para o 'socialmente correto', mas sempre quis que as pessoas que eu amasse me admirassem de alguma forma. E muitas vezes ouvi somente críticas de muitas delas...

.. Se eu, no alto da minha ansiedade falava demais, e rolava uma pequena "repressão", passava a ser uma pessoa extremamente calada (acho que muitos ainda conhecem esse lado meu).

.. Se algum comentário era feito sobre alguma atitude minha, logo a cortava.

... Se zoassem meu jeito de dançar, passava a ser a pessoa parada, quieta, envergonhada no canto no meio das festas.

... Se minhas histórias não eram ouvidas, passava a guardá-las somente para mim, me fechando cada vez mais até mesmo para pessoas que queriam saber mais, mas não conseguia dividir isso com elas.

Você pode dizer pra mim "mas isso é errado!". Bingo. Me conte uma novidade! (quer um balão?). Mas sempre fui assim. Cada um tem as suas características de personalidade. As minhas sempre foram um excesso de perfeccionismo e uma dependência enorme de aceitação das pessoas.

E assim, aos poucos, fui tornando pássaro preso, distante demais de ser alguém que você ouviria gargalhando numa mesa de bar, por exemplo. Contida, sempre quieta.. Fruto de mais de uma década dessa postura. Desaprendi a me expressar. E aos poucos, até mesmo de sentir. Não sei se algum de vocês já se sentiu assim, se tornando um pouco insensível às coisas do mundo. Me tolhi demais. E esquecendo de mim, acabei esquecendo do resto do mundo.

Até sábado passado.

... Há muito tempo não ia numa festa. Há muito tempo eu não queria ir numa festa (outra coisa que reprimi da minha personalidade). Quando pisei na pista de dança e reconheci a primeira música, alguma coisa lá no fundinho de mim despertou. Havia mais de uma forma de expressar quem eu sou. Não precisava ser com palavras, podia ser simplesmente com a dança. Durante as poucas horas que estive ali, ri. Nossa, como ri. De uma forma que eu não me lembro de ter sido antes, já que há muito não ficava assim. Me jogava, gargalhava. Acho que ninguém além de mim percebeu a leveza que estava ali. Acho que a última vez que me senti assim (e ainda assim nem de longe não foi a mesma coisa) foi quando dirigi pela primeira vez a 100Km/h numa estrada (e foi tão nítido a minha excitação que até quem me viu quase 1h depois percebeu a diferença). Mas, como disse, nem se compara. Não se compara com a livre expressão de você, sem amarras, dizendo com o corpo e com o rosto aquilo tudo que guardou dentro de si por longos anos. Tinha me esquecido completamente disso. Mesmo. E aconselharia a qualquer pessoa a um dia se libertar por completo de todos seus receios e deixar o corpo mandar, e mandar a razão para um canto longe qualquer.

E aí entendi completamente essa citação:
"Eu só poderia crer em um Deus que soubesse dançar", Nietzche

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