Era uma vez Petrópolis...


Era uma vez 15 de março de 2007. Ele fazia 18 anos. Ela recebia um depoimento que talvez colocasse todas as coisas, todas as lutas a perder. 

Mas não. Não depois de tantas lágrimas. Não depois de tanta luta contra pessoas cegas que não enxergavam a verdade óbvia diante de seus olhos. Não depois de evitar estragos irreversíveis.

Não. Não depois disso tudo. Não poderia simplesmente "deixar pra lá".

Então, a promessa mais forte de todas: teria que acontecer. Abril veio e o momento foi adiado uma, duas vezes.

O estômago já não aguentava mais. Ansiedade demais.

E então foi escolhida a data: 05 de maio. A passagem foi comprada de véspera. O medo do furo. O medo de no final dar tudo errado. (Com direito a barata subir na perna dela na frente do guichê).

Era sábado. Parecia fazer frio. Mas ela não conseguia sentir nada além de borboletas no estômago. Ela entrou no ônibus e o avisou. Ao sair da rodoviária, sabia que estava enfrentando mil medos, mas tinha que seguir em frente.

Uma hora depois ele avisou que saíra. Menos um medo. Talvez o menor deles.

Em sua cabeça só vinha:

- E se eu não o reconhecer? E se tudo for inútil? E se ele não gostar de mim? E se não for bom o suficiente?

- E se for só essa vez?

Chegaram em Petrópolis. Um céu azul lindo lhe dizia "sejam bem vindos". Não, ele não havia chegado. As mãos torciam, suadas. Os olhos inquietos investigando cada ônibus que chegava. O celular dele sem sinal. Não, ele não teria mentido. Não, ela podia sentir. E seus pressentimentos nunca a haviam enganado.

Até que olhou para frente e se perguntou: "Será que é ele mesmo ou já estou delirando?"

E ele sorriu.

- Não acredito - Ele disse depois que ela disse. Ela não se lembra disso, mas faria alguma diferença?

Não eram muitos passos até ele. Mas as pernas tremiam tanto que pareciam uma eternidade. E mergulharam em um forte abraço. O primeiro de todos. Como se tivesse sido a vida inteira assim. E se lembraram da promessa que fizeram quando se vissem.

E foi o beijo mais desencontrado da história. E o melhor.

Se deram as mãos como se aquilo fosse natural. Ela com suas unhas preto-e-branco, ele com o cabelo grande que não curtia muito e deixou só por ela.

Deixados no Palácio de Cristal, diante de um sol escaldante (coitada dela que foi de sobretudo), esqueceram da fome, do calor, do tempo. Foram adotados pelo cachorro ali presente, testemunha ocular daquele primeiro encontro (esse que nunca mais foi visto).

Então, em algum momento pela manhã, ele se pôs diante dela, de joelhos, enquanto o coração dela saía pela boca.

- Sabe, quando eu vim para cá, eu não sabia se ia voltar namorando ou solteiro.

- Ah é? Mas será que você vai querer uma mineira chata pra você?

- Não sei. Será que ela vai querer um carioca marrento pra ela?

- Eu acho que sim.

E então veio o beijo doce e apaixonado, com a frase mais esperada do dia:

- Você quer namorar comigo?

E vocês já sabem a resposta, selada com o que viria a se tornar o famoso bambolê de dedo que foi delicadamente furtado por ela (para quem desconhece a história, um anel de borracha). ;)

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