Não. Não tive escolha. No amor, não temos muitas escolhas. Eu teimei. Disse não, disse nunca. Por moral, por convicção, por princípios, por descrença. Não virei as costas, nem tive coragem de encarar.

Mas você, tão como eu, teimou. Disse sim. E também disse não, assim que comecei a dizer sim. Que coisa, precisávamos nos desencontrar. Já não bastava o eterno não-encontro, ritmado pelas ligações de 3 segundos querendo burlar a operadora, as mensagens furtivas, o "eu te amo" engasgado na garganta, relutante em sair devido as circunstâncias.

(Mas oras, que petulância! Duas crianças querendo falar de amor!)

Amor. Lutei, lutamos. Contra nós mesmos, contra tudo que tentou se por no nosso caminho. Nos reencontramos em nós, e procuramos um ao outro. Ainda me lembro das lágrimas na estrada, da mensagem no meio da madrugada, quando decidi que não poderia mais lutar contra eu mesma. Não. Eu era sua já e não sabia. Não conhecia ainda seus olhos de criança, pois se tivesse, saberia que estaria presa ali.

Fui sua quando secou minhas lágrimas naquelas noites em que virei contra o mundo por você - e você nem sabia. Fui sua quando voltei 2h a pé para casa, brigando com você enquanto dizia nas entrelinhas "eu te amo, será que consegue ver isso?". Fui sua nos poemas raivosos sem rima, no tom lírico-romântico despropositado.

Acreditei. Nos deuses, nas deusas, em algum anjo protetor. Não podia deixar de ser. Tão improvável, tão irreal a nossa história. Mas canceriana mais obstinada do que eu está para nascer. No topo da serra, o sol se abriu em um dia quente, quando teus passos lentos vieram em minha direção. Não, não eram rápidos o suficiente para calar a vontade que tinha de mergulhar em seus braços. Não.

- Não acredito! - sussurrei. E você leu em meus lábios e entendeu.

Não, não acredito. E não acreditam. Sim, era amor. Sim, deu certo. Sim, era você. E sempre será só você.
05-05-2007

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