Era uma vez...

>>Por ela<<


Era uma vez uma quinta de manhã, as 6:30 da manhã. Porque acordamos tão cedo, eu não fazia ideia. Após o café fui chamada no quarto do PC. Nas mãos dele, uma agenda com um papel meio misterioso, entregue meio sem graça nas minhas mãos. Atrás dele, uma numeração - o que "espertamente" deduzi que teriam mais momentos daqueles ao longo do dia.

E começou com um pequeno e sutil pedido de desculpas, que logo eu entenderia. A primeira pista levava ao Orkut - aquele lugarzinho sem graça onde nossa história começou. De depoimento para a comunidade que criei e que havia levado ele a mim. E então o pedido de desculpas se fez entender: não poderíamos ir até o local onde fora o show da nossa banda preferida (como ele pretendia) porque havia um empecilho pequenino: o trânsito do Rio de Janeiro na linha amarela. E ainda tinhamos um looongo dia pela frente.

Dali outro papel. E os olhos arregalaram na mesma hora que entendi. Como assim ir pra Petrópolis naquela hora?

- Se arruma, temos que estar lá 7:45.

Problemas a parte, não, não conseguimos chegar lá as 7:45... Esperamos o próximo ônibus as 9:30 da manhã. Isso encurtaria um pouco do tempo lá (já que iriamos viajar de novo naquele dia). Fomos conversando durante a viagem, com aqueles olhares apaixonados que trocamos na primeira vez que nos vimos - e que não tivemos a sorte de viajarmos juntos.

Chegando na rodoviária, ele pediu para que repetíssemos aquele primeiro beijo desencontrado que tivemos.E sim, foi desencontrado novamente, pois eu tentei dizer que não havia sido daquela forma. - Sempre temos que voltar ao ponto de partida, não é?

De lá fomos para o centro. Sorvete do McDonalds, para não quebrar a rotina. O sapato machucava o pé, mas como toda mulher, resisti bravamente com um sorriso no rosto. E lá fomos, com a última dica apontando para o Palácio de Cristal. Entrei mancando, lembrando de todas as vezes que fomos ali.

Procuramos o primeiro banco com sombra - já que o nosso banco simbólico já não existia mais. E me entregou o último papel, com um pedido. Forte. Pessoal. Mas que libertou fantasmas de dentro de mim. Após um abraço apertado, a câmera foi entregue em minhas mãos. Liguei e comecei a filmar. Cada palavra foi sendo absorvida, emocionando. Ele sempre teve dom com as palavras e cada dia tem explorado isso melhor.

Então.. As mãos foram para o bolso de trás. E a caixinha mágica surgiu. E junto com ela as lágrimas. E o famoso e engasgado:

- Quero, claro que eu quero!

0 comentários:

Postar um comentário



 
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS - COPYRIGHT 2015