A importância de ser feliz com o outro e PELO outro

Uma das grandes lembranças boas que eu tenho desse ano foi a compra da minha passagem para Recife. Era um sonho passar meu aniversário nessa cidade e em 2015 ele acabou não acontecendo. Eis que em abril desse ano surgiu uma promoção incrível e, curiosamente, coincidia com o período do meu aniversário.

Me lembro ainda que havia um dilema em saber se o Paulo poderia ir comigo ou não, por causa de questões financeiras e de compatibilidade de horário com o trabalho dele. Eu já queria muito aquilo, mas de certa forma fiquei meio receosa: viajar sozinha, comemorar meu aniversário sozinha não era algo que eu estava esperando, mas ao mesmo tempo não queria perder a oportunidade.

Na indecisão, o Paulo incentivou que eu fosse mesmo assim. E me lembro de ter chorado igual criança de felicidade quando comprei a passagem.

Ele me acompanhou no aeroporto e, mesmo de longe, fez parte de todo esse processo. Eu enviava fotos, comentava sobre onde eu estava e ele apoiava quando podia. Mais do que pela viagem em si, eu estava feliz porque ele estava feliz por mim. Nada ele teria em troca, nenhuma vantagem, nada. Ele estava feliz apenas por mim.
Porque estava com saudade mesmo :P


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Para quem acompanha o blog, deve saber que nós temos nosso projeto "fitness", que nada mais é do que uma mudança para uma vida mais saudável de fato. E se acompanha o nosso Instagram, sabe que ficamos muito tempo paradinhos, principalmente o Paulo.

E com isso eu percebi que ele ficou amuadinho por muito tempo. Eu torcia para que ele pudesse voltar a ter suas atividades logo,pois sabia que isso era uma grande parte responsável pela felicidade dele. 

Eis que emprego novo, novas oportunidades, e ele voltou. E eu vi um brilho nos olhos dele que há muito tempo não via. E aquilo me fez feliz mais do que até mesmo os meus próprios resultados tentando voltar a essa rotina. Sem contar que me inspirou muito. Muitas vezes quando ele manda uma foto de um pace melhor na esteira, eu fico toda boba, tipo orgulhosona mesmo.

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Esses dois exemplos são para mostrar a importância de não só ser feliz com o outro, mas também de ser feliz pelo outro - aqui em um sentido de que o fato da pessoa estar feliz me deixa feliz.

Cada vez mais somos incentivados a um individualismo nas relações. É claro que a relação de codependência não é saudável e nem deve ser incentivada. Mas cada vez mais escuto coisas que incentivam não "eu primeiro", mas o "apenas eu". E isso não é relação, nem parceria, muito menos amor.

Amar é, sem se neutralizar, ver que há uma pessoa feliz contigo e uma pessoa feliz independente de você. Que há caminhos na vida dela que trazem um sorriso encantador - aquele sorriso que te deixa bobo, apaixonado e hipnotizado pelo outro.

Acreditar que o outro não pode ser feliz sem você é egoísmo. Ignorar a felicidade do outro sem você é egoísmo. E é importante incentivar esses momentos, fazer com que o outro busque a sua própria felicidade.

Afinal, quer algo tão gostoso quanto ver seu amado chegando próximo a você radiante com uma boa história para dividir contigo? Poder ouvir ele(a) empolgado, contando suas expectativas, boas histórias e, até mesmo, fazendo novos planos contigo por isso?

Então que tal observar o que faz seu (a) parceiro (a) feliz e incentivá-lo a buscar isso? 

4 anos de noivado: a maior lição que aprendi


Olá gente bonita!


Não repara as teias de aranha não, tá? É que está rolando uns transtornos, estamos em obras para melhorar nossas vidas. ;)

Hoje é o incrível dia em que comemoramos 4 anos de noivado!

O QUÊ? QUATRO ANOS?

Pois é. Voou, não é mesmo?



E com uma experiência tão grande em "ser noiva", quero dizer qual foi a maior lição que aprendi sobre noivados longos e que se adéqua perfeitamente aos relacionamentos. E é ela:

- Sempre mantenha a chama acesa. -

A maioria das pessoas não noivam pensando em estender esse período a longo prazo. Mas as vezes a vida, essa eterna caixinha de surpresas, acaba nos dando uns golpes meio doidos e a gente acaba tendo que rever planos. Ninguém sabe quando isso acontece. No nosso caso, a gente ainda nem tinha começado a realmente ver fornecedores ou ter marcado data. 

Muitas pessoas acabam se vendo adiando tudo as vezes faltando poucos meses para a cerimônia: uma situação financeira que apertou, uma mudança a trabalho, algum imprevisto de saúde com algum familiar. E o noivado passa de "entre 18 e 24 meses" a "três, cinco anos".  As vezes isso fica em aberto, esperando algo melhorar, e essa melhora demoooora a vir.

Exatamente por demorar a vir que a chama do noivado deve ficar acesa.

Estar noivo é mais do que estar em vias de preparar um casamento. É uma mudança de espírito. Se não fosse assim, ninguém noivava: já logo agendava o casamento durante o namoro e "de boas".

E se você não mantiver esse estado de espírito sempre aceso, o desânimo irá bater.

Muitas pessoas passam a vida esperando o pedido de casamento. E quando falo a vida, é literalmente. Eu mesma, como boa canceriana, desde criança ficava imaginando como seria. Desde antes dos 10 anos eu tinha certeza que queria um tomara-que-caia decote coração, decisão essa que permanece até hoje e não abro mão. E quando o pedido finalmente acontece, há um calor enorme que se abre em nossos corações.

E quando o assunto passa a ser silenciado, deixado de lado porque "não há perspectiva de um casamento próximo", é pior do que quando você era a solteirona das suas amigas.

Porque o pedido já aconteceu. Você não está esperando nada novo além dos preparativos. É morrer na praia. Mesmo.

Você cria milhares de expectativas. Suas pastas no computador andavam lotadas. Seus amigos simplesmente se irritavam porque você só falava de casamento porque era a coisa mais maravilhosa que aconteceria em breve. E, de repente, você já não conversa mais disso com seu parceiro, o assunto não vem, a busca pelas referências não acontece mais.

Até que chega ao ponto de que você simplesmente tem aversão do tema. Feiras de noivas? Não quer nem chegar perto. Casamentos de amigos? Cada convite é um misto de felicidade, uma tristeza enorme e culpa por se sentir mal. Passar em frente a lojas que alugam vestido já não fazem você parar ou entortar a cabeça no ônibus. Você para até de dar o sorriso amarelo quando te perguntam quando finalmente vocês vão casar.

Casamento se torna algo ruim quando você não alimenta a chama. Porque vira traumático.

Tal como nos relacionamentos, é preciso sempre que você mantenha a chama acesa. Não temos isso de "não podemos deixar cair na rotina", "temos que conquistar o parceiro todos os dias"? Pois é. E isso é uma outra verdade absoluta.

Não é óbvio que você quer casar. Não é óbvio que num determinado momento você vai se animar em arrumar os preparativos. Não é óbvio que no momento certo você vai finalmente se animar em treinar os DIY com seu(a) parceiro(a). Assim como não é óbvio que você ama o outro. Que você quer estar com aquela pessoa para sempre. Que você a deseja.

Porque queridos, o mundo muda e nossos sentimentos também. E obviedade não alimenta frio na barriga de ninguém, ok?

Então mesmo que a cerimônia não tenha uma data, não deixe de fazer algo com o(a) parceiro(a) para lembrá-lo do quanto aquele momento é especial. Não deixe que o fogo criado pelo pedido de casamento morra.

Porque você não fará outro pedido para reativá-lo, não é mesmo?

E uma vez que ele desapareça, dificilmente os preparativos terão o mesmo sabor. Terão teor de "obrigação", como se tivesse montando um evento para os demais e não para si mesmo. Aquele momento único perde sua aura de encanto.

Por isso queridos noivos, não deixe de alimentar SEMPRE a chama do noivado de vocês. Porque a gente nunca sabe quando surge um obstáculo. Nós nunca sabemos o tempo real que demorará uma crise. Sem contar que falar de casamento após o pedido é algo que faz com que o coração se aqueça e é uma incrível forma de aproximar os casais.

Mas isso de aproximação é um papo pra oooutro post.

;)

[Resenha]: 1+1: A matemática do Amor - Vinícius Grossos e Augusto Alvarenga



Você vai rir, você vai chorar.

E quando terminar, seu coração estará super quentinho.

E talvez vá pensar em fazer algumas ligações para algumas pessoas, ou abrir seus diários de adolescência. Acredite, você não consegue terminar esse livro de uma forma "passiva", ele te leva a agir, mesmo que seja mergulhar no passado. 

Dedicatória super linda do Vinícius!


A sinopse você pode encontrar aqui, então não vou focar na história, mas sim sobre a minha percepção sobre ela após a leitura, ok?

Quando comecei a ler o livro, fiquei me perguntando "ah, mas será que realmente com 16/17 anos as coisas eram assim, ou já eram mais diretas, não tão inocentes assim?". E eu fui ver meus textos, diários e anotações da época (sim, eu fui atrás dessas lembranças quando terminei a leitura). E sim, era exatamente assim. Então se você pegar para lê-lo, eu quero que esteja focado nas suas vivências aos 16/17 anos. 

Teve muito choro ao ler essa parte? Ah, teve sim!

Muitas coisas que estavam ali me trouxeram lembranças deliciosas. Coisas idênticas, coisas semelhantes, algumas bem diferentes, que eu não vivenciei, mas vi em amigos. Há um toque de proximidade com a nossa vida (independente de ser na cidade pequena, como era o caso de Bernardo e Lucas, seja em uma cidade maior, como Juiz de Fora), que nos conquista de primeira. Eu gosto de pensar que um livro para conquistar meu coração precisa ter algum elemento de projeção - alguma coisa ali precisa ter algum tipo de assimilação direta ou indireta com a minha vida. E quanto mais isso acontecer, melhor. E 1+1 foi muito assim.

Bê e Lucas trouxeram de volta uma certa ingenuidade que a gente não enxerga quando tem essa idade. Com 16 anos muitos até já tiveram suas primeiras experiências sexuais. Mas ainda continuam ingênuos. E o livro aborda um pouco disso com uma maestria sem igual. Porque não é uma inocência "tola", ou fora da realidade. Não é infantil. É extremamente adequado a faixa etária dos personagens.

O livro também aborda uma coisa essencial: a fidelidade e a lealdade de uma amizade. A amizade entre Bê e Lucas, acima de tudo e, principalmente com tudo que acontece no livro é encantador demais. O relógio aponta os últimos 30 dias em que Bernardo estará no Brasil e Lucas tenta fazer de tudo para que Bê tenha as férias mais memoráveis da vida. Independente de qualquer coisa, esta foi uma prova de amizade belíssima e que pouco se vê na vida adulta. E dá saudade desse tipo de gesto, dá sim.

Um ponto mais "estrutural" que eu gostaria de falar é sobre o fato do livro ser dividido nos PoV dos protagonistas. Isso me chamou muito a atenção porque um dos meus projetos antigos de publicação abordava justamente este tipo de coisa e eu tinha muito medo de deixar o leitor perdido. Vinícius Grossos e Augusto Alvarenga conseguiram conduzir uma narrativa linda, bem encadeada, bem coesa a quatro mãos. Neste quesito eu preciso dar os parabéns! (E perguntar a eles posteriormente como foi o processo criativo do livro, porque fiquei muito curiosa! haha). 



*ALERTA DE SPOILER*










Algo que preciso agradecer demais: o amor do casal Lunardo (sim, já tem nome e shippadores por aí!) é retratado de uma forma totalmente não estereotipada. Como falei, em muita coisa (e em muitos dilemas, inclusive) eu vi coisas que eu vivi. A autodescoberta também é feita de uma forma muito doce e isso é um ponto que eu achei fundamental. É lógico que diante da homofobia é preciso ter militância sim, mas também em outras esferas (e principalmente numa literatura mais focada para jovens) é preciso deixar claro que há o amor, e que ele não é diferente em um contexto heteroafetivo ou homoafetivo. Amor é amor. E isso foi muito bem trabalhado.

E logicamente que a homofobia foi tratada no livro. Neste ponto eu chorei. Chorei porque tive amigos que passaram por isso e chorei por empatia. É muito triste saber que pessoas são agredidas por amarem. Eu perdi umas boas horas pensando sobre isso quando terminei o livro e ainda fico meio embargada pensando nessas questões.

Bom, por mim eu falaria muito mais ainda. Mas também não posso entregar tudo de uma vez, porque está sendo muito difícil falar sobre o livro sem contar ele todinho. HAHA. Leiam. Se apaixonem de novo. Vale muuito a pena!

Não, ela não está bonita porque está irritada!

Com o joelho ruim, eu, Lu, passei a caminhar mais. Isso porque esteiras sem ser para correr me irritam (e eu não posso correr), eu fico escorregando na bike (por que diabos não é possível ficar parada pedalando nela?!), não posso pular corda e o elíptico tem me causado algumas dores, então a melhor opção está sendo colocar minha cara no sol no final de tarde e andar.

Com isso, mais exposição, algo que eu desacostumei com essa vida de vampira mestre em gap year. E consequentemente, desacostumei com os machismos alheios de todos os dias.

Eu, que já não ando muito paciente, tenho me pego dizendo aqueles palavrões e fazendo gestos ofensivos que não se fazem em frente aos pais e avós, por exemplo. E os homens riem. Riem.

E eu, que tento entender as coisas que me cercam (não me culpem por isso), me vi relembrando cenas da minha adolescência, tanto comigo quanto com outras amigas:

- Ah, você fica tão bonita irritadinha!

Essa é a minha cara imediata quando escuto isso.


Isso já era irritante com 14, 15 anos. Hoje é intragável de ouvir.

Não basta você ter que lidar com o medo do estupro (como contei como aconteceu comigo - e oh que coisa, aconteceu DE NOVO). Do assédio. De nunca conseguir aquele cargo de liderança ao qual você era totalmente apta, mas porque não tem bolas não pode exercer ("mulher tem TPM, não é confiável"), ter que ter medo de realizar o sonho de ser mãe e isso ser motivo de exclusão em uma entrevista de emprego (você não pode ser zelosa e boa funcionária ao mesmo tempo), ouvir seu pai soltando piadinhas misóginas e machistas como se igualdade de direitos fosse simplesmente querer abandonar os afazeres domésticos por preguiça - não senhores, isso tudo não basta. Você ainda tem que ser irritada.

Porque é prazeroso incomodar uma mulher a este ponto.

Porque não basta a subjulgação estrutural, você tem que tirar ela do sério a ponto dela sair do sério, desrespeitar seus princípios a ponto de de xingar. E isso é divertido!

Vocês entendem a lógica? Eu não.

E quantas vezes namorados dizem isso as namoradas como se fosse um elogio, como uma forma de atenuar e justificar suas falhas nos relacionamentos?

Estes mesmos homens que depois quando suas mulheres "se irritam por qualquer motivo" ou "estão loucas porque têm surtado direto" usam isso como justificativa para famosos pés-na-bunda ou traições. Mas não percebem o quanto o acúmulo de irritaçõezinhas de "charme" vão se acumulando e acabando com a tolerância de qualquer ser vivo.

(ps: em nenhum momento quero dizer que homens traem mais do que mulheres ou que apenas homens usam essa desculpa. Eu, pelo menos, nunca vi nenhuma mulher usar este argumento para cima deles. De qualquer forma, seja de quem for, irritar uma pessoa de propósito é errado, tá bom amores?)

Provocar a raiva de alguém e achar isso bonito é de uma natureza tão estranhamente sádica que está acima da minha compreensão (e olha que eu tenho a mente aberta para muitas coisas). E nós mulheres passamos isso t-o-d-o-s o-s d-i-a-s. Sim, todos os dias. Basta passar 5 minutos na rua e não importa, você vai ouvir um gracejo e uma risada se você se mostrar irritada.

Por isso agradeço muito quando meu fone ainda funcionava totalmente, porque eu conseguia ignorar e nem ouvir essas coisas. E conseguia passar meu dia sem agradar homens pelo simples prazer de irritar uma mulher just for fun.

Ah, e para vocês que acham isso engracadinho/bonitinho:




 
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